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TURISMO

A ILHA ONDE O TRICÔ MARCA A VIDA, POR TODA A VIDA.

Colaboração (texto e imagens): Ingrid Held Neuberger


Localizada a 35 km ao norte da cidade de Puno, TAQUILE é a maior ilha peruana do lago Titicaca. Tem uma área de 6 km2. Ainda conserva suas tradições, costumes e leis do tempo em que os incas habitavam a região.

Observe a saia preta em várias camadas com bainhas coloridas.
Nessa ilha as mulheres só andam com véus pretos, quadrados, em cujas pontas penduram pom-pons coloridos; é obrigatório para as mulheres adultas. Neles carregam seus filhos e todo tipo de objeto (compras, por exemplo).

As mulheres de Taquile são fiandeiras e os homens, de todas as idades (a partir de 4 anos!!), são tricoteiros.

Todos os homens usam gorros tricotados por eles mesmos: os casados usam gorros inteiramente tecidos em jacquard. Note que o homem de pé está tricotando. É normal homens se reunirem para conversar enquanto tricotam.

Os meninos e os homens solteiros usam gorros parcialmente tecidos em jacquard; a parte final é branca; o pom-pom colorido é marca registrada de todos os gorros. Assim o tricô serve para proteger e identificar o indivíduo.

 

As meninas, todas, usam gorros coloridos com volumoso babado de bordas coloridas; o babado faz papel de aba e protege o rosto. Note o casaquinho em delicado jacquard, também tecido pelos homens de Taquile.

O jovem tricota com habilidade usando agulhas de tricô muito fininhas. Em qualquer lugar, em todas as horas, os homens tricotam.

A chegada a Taquile (observe o ancoradouro à direita) mostra as plataformas ("degraus" feitos por toda a encosta onde os nativos fazem suas plantações) e o íngreme caminho até o povoado localizado no alto da ilha.

Para se chegar ao povoado, no topo da ilha, é necessário subir uma escada com mais de 567 degraus, em zig-zag entre os terraços ou plataformas com diferentes tipos de plantações.

Turistas sobem o caminho rústico, conduzidos por crianças nativas, em direção ao povoado de Taquile.

A subida mostra as propriedades e os terraços onde plantam.


Observe que as adolescentes já usam véu preto. Os caminhos em Taquile são sempre íngremes; ou são degraus.

O caminho para o povoado: turistas, mulheres com seus véus pretos carregados de mercadoria e homem tricotando (veja no detalhe, abaixo).

Detalhe da foto anterior: Os homens não deixam de tricotar nem enquanto sobem a imensa escadaria em direção ao povoado. Observe que este homem é solteiro: seu gorro tem uma parte tecida em branco.

Taquile tem uma comunidade solidária, forte e jovial que conserva os valores, costumes e tradições das cidades lacustres (localizadas junto a lagos).

Disse um nativo: "Aqui tudo é compartilhado, nós falamos em quéchua (idioma nativo), nós nos vestimos como nossos avós e nós acreditamos nas leis que o Inca nos deu:

- Ama Sua (não roubar)
- Ama Quella (não mentir)
- Ama Llulla (não estar ocioso)."

São normas ordenadas pelos soberanos incas há mais de 500 anos. E o comando é seguido até hoje por mais de 1.500 residentes dessa ilha de fazendeiros que adoram suas terras e artesãos que expressam sua inspiração através de tecidos esplêndidos.

Juízes e policiais não existem na ilha. Também não há asfalto nem veículos; há somente campos verdes cultivados, ruínas pré-hispânicas, eucaliptos e ciprestes trazidos na década de 50.

 

As pedras fazem muros, e sustentam os "degraus" que permitem o aproveitamento da encosta.
Vista do porto de chegada. Sentados sobre o arco, meninos fazem tricô.


Portal; ponto turístico onde os meninos ficam fazendo tricô.

As construções utilizam as pedras da própria ilha.
Os nativos têm, no turismo, importante fonte de renda.

Detalhe da foto anterior: a mocinha e seu véu com pom-pons nas pontas.

O azul espetacular do Lago Titicaca e a cordilheira dos Andes.

- proibida a reprodução total ou parcial sem a autorização de Ingrid Held Neuberger -